13 de março de 2010

Futebol e o jogo duro da burocracia

Incrível o que a burocracia faz com as pessoas. Incrível como as instituições que monopolizam o controle de determinados segmentos se valem dela. Iniciei em 2010 um ensaio sobre futebol, estou imersa nele. Um tema que me agrada por diversos motivos, entre eles, experimentar, na construção das imagens, um olhar que traduza a paixão, a irracionalidade, a catarse e o inexplicável, que o tema do futebol suscita. Busco imagens das várias facetas deste esporte, das várzeas aos torcedores. Do campinho da comunidade ao futebol profissional. Envolver-me com o tema foi fácil. É demais sair pelas ruas vendo homens, mulheres e crianças enlouquecidos com e por seus times. Fui super bem recebida nos campos de futebol amador. Conheci iniciativas super interessantes como as que envolvem o Triunfo, do Sambaqui.

Mas o duro mesmo é entrar em contato com os times profissionais. Primeiro fiz contato com a acessoria de impressa de um clube da capital e nem retorno recebi. Depois, tentei os órgãos competentes. Não sou jornalista. Embora hoje não precise de diploma pra me filiar ao sindicato dos jornalistas, não o faço porque não é esta minha formação e respeito quem se formou. Pago o preço por isso. Tentei me credenciar a ACESC – Associação dos Cronistas Esportivos de Santa Catarina, para entrar em campo, num jogo oficial e fazer uns cliques. Primeiro descobri, que como fotógrafa não posso pedir nada, preciso que um órgão de comunicação que o faça por mim. Pois bem, novamente me dirigi a esta associação, agora vinculada a uma instituição de comunicação. Expliquei, pelo menos acho que tentei, que se tratava de uma situação específica, que não se tratava de uma credencial anual, mas uma permissão especial para, no máximo, duas entradas em estádio. O resumo dessa longa história é que foi tempo perdido. A burocracia fala mais alto, não existe singularidade nem caso especial. O acesso foi negado e ninguém se incomoda com isso, a não ser eu, como fotógrafa.

Quem perde? No meu ponto de vista todos nós. Fica aqui um post desabafo com o desejo que estas instituições sejam menos sectárias e mais flexíveis.

Cabe-me agradecer às pessoas que me permitiram fotografá-las.




5 de março de 2010

Ensaio fotográfico (a pequena diva)






Fazer uma sessão de fotos pode ser bem simples na produção e ter um resultado bem sofisticado e, ao mesmo tempo, também bem personalizado. Começa por estudar uma ideia que contemple o que a pessoa gosta, ou que diga algo sobre ela.
Uma grande fotógrafa, reconhecida por suas produções, no mínimo ousadas, é Anne Leibovitz. Neste segmento uma inspiração. Sua marca é a grandiosidade e o glamour de suas fotografias, numa carreira marcada por grandes fotos de celebridades.
Gosto de fazer produções, de pensar a locação, o figurino, a iluminação, de fazer o clique. Gosto do envolvimento da pessoa com esse cenário, do modo como vai se soltando. De alguma forma, gosto de ver a fotografia como parte de uma cena, um fragmento, um teatro. Essa é a parte dura e divertida, numa ambivalência que impulsiona o desafio.
Fiz, a poucos dias, uma produção que envolveu um pouco disso tudo. Fotos de 15 anos da Marina, que estuda música, canta e, claro, quer ser cantora. Partimos daí para chegar numa abordagem que chamamos de divas da música. Fomos para o Teatro Álvaro de Carvalho, Floripa, e depois para Santo Antônio de Lisboa. Fizemos os cliques. As imagens trouxeram uma mistura entre o antigo e o contemporâneo. Inspiraram-se em Ella Fitzgerald e também trouxeram marcas dos ídolos pops dessa geração, como por exemplo, Demi Lovato.
O resultado agradou. Segue uma pequena amostra.

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